Tatu Gigante de Holmes
(Holmesina septentrionalis)
Paleoartes:
- AVPHAnimação
Introdução
O Tatu Gigante de Holmes (Holmesina septentrionalis) foi uma espécie extinta de pampatério, um grupo de mamíferos xenartros semelhantes aos tatus modernos, que viveram entre o Plioceno Inicial e o final do Pleistoceno, aproximadamente entre 4 milhões e 11 mil anos atrás. Esses animais faziam parte da megafauna do Cenozoico tardio e estavam relacionados aos atuais tatus, embora fossem significativamente maiores e mais robustos.
Fósseis dessa espécie foram encontrados principalmente na América do Norte, especialmente nos estados da Flórida e do Texas, embora o gênero Holmesina tenha ocorrido em uma área muito mais ampla que se estendia do Brasil até o sul dos Estados Unidos . A espécie representa um exemplo importante da fauna que participou do chamado Grande Intercâmbio Biótico Americano, quando vários mamíferos da América do Sul migraram para a América do Norte após a formação do Istmo do Panamá.
Etimologia
O nome do gênero Holmesina foi estabelecido pelo paleontólogo George Gaylord Simpson em 1930 em homenagem ao paleontólogo norte-americano William Henry Holmes. O epíteto específico septentrionalis deriva do latim e significa “do norte”, referindo-se à ocorrência dessa espécie em regiões mais ao norte do continente americano em comparação com outros pampatérios.
A espécie foi inicialmente descrita em 1889 pelo paleontólogo Joseph Leidy, que classificou os fósseis encontrados na Flórida como Glyptodon septentrionalis. Posteriormente, com o reconhecimento de sua afinidade com os pampatérios sul-americanos (Pampatherium), os restos foram reclassificados e finalmente atribuídos ao gênero Holmesina após novas descobertas fósseis no Texas e em outras regiões da América do Norte.
Descrição
Holmesina septentrionalis possuía um corpo robusto protegido por uma carapaça composta por placas ósseas articuladas, semelhante à dos tatus modernos, mas muito mais espessa e extensa. Diferentemente dos gliptodontes, outro grupo extinto de cingulados, a carapaça dos pampatérios era relativamente flexível, formada por bandas móveis que permitiam maior mobilidade do corpo. Essa característica tornava esses animais mais ágeis do que outros cingulados gigantes.
Os indivíduos desse gênero podiam alcançar cerca de 2 metros de comprimento e peso aproximado de 227 quilogramas, tornando-os muito maiores que qualquer tatu moderno. Para comparação, o maior tatu vivo atualmente, o tatu-canastra (Priodontes maximus), raramente ultrapassa 54 quilogramas de massa corporal. O crânio era alongado e relativamente baixo, enquanto os membros eram robustos e adaptados à locomoção terrestre. As placas dérmicas que formavam a armadura corporal possuíam ornamentações características que ajudam os paleontólogos a identificar as diferentes espécies do grupo.
Descoberta
Os primeiros fósseis atribuídos à espécie foram descritos em 1889 por Joseph Leidy a partir de material encontrado na Flórida, nos Estados Unidos. Inicialmente, esses restos foram classificados como pertencentes ao gênero Glyptodon, um grupo de grandes cingulados sul-americanos. Com o avanço das pesquisas e a descoberta de novos fósseis, os cientistas perceberam que esses animais pertenciam a um grupo diferente, os pampatérios.
Em 1915, o material foi reclassificado como Chlamytherium septentrionalis, e posteriormente, em 1930, George Gaylord Simpson criou o gênero Holmesina, estabelecendo a combinação taxonômica atualmente utilizada, Holmesina septentrionalis.
Os fósseis dessa espécie são relativamente abundantes em depósitos do Pleistoceno na América do Norte, principalmente na Flórida e no Texas. Evidências paleontológicas indicam que os pampatérios migraram originalmente da América do Sul para a América do Norte durante o Grande Intercâmbio Biótico Americano. Durante o final do Pleistoceno, algumas espécies de Holmesina também se dispersaram novamente para o sul, retornando à América do Sul.
Classificação
Holmesina septentrionalis pertence ao grupo dos pampatérios, mamíferos xenartros relacionados aos tatus e gliptodontes. Esses animais fazem parte da ordem Cingulata, que inclui todos os tatus vivos e extintos. Os pampatérios são considerados parentes próximos dos tatus modernos, mas formam uma linhagem distinta que atingiu tamanhos corporais muito maiores.
Classificação científica da espécie: Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Mammalia, Ordem Cingulata, Família †Pampatheriidae, Gênero Holmesina, Espécie Holmesina septentrionalis.
Dentro do gênero Holmesina existem várias outras espécies reconhecidas, incluindo Holmesina floridanus, Holmesina occidentalis, Holmesina paulacoutoi e Holmesina rondoniensis. Essas espécies apresentam diferenças no tamanho corporal, na forma da carapaça e na estrutura dos ossos cranianos e dentários. Todas eram herbívoras e provavelmente se alimentavam de vegetação relativamente dura, como gramíneas, folhas e frutos, desempenhando papel ecológico semelhante ao de grandes herbívoros em ambientes abertos do Pleistoceno.
Dados do Megamífero:
- Nome: Tatu Gigante de Holmes
- Nome Científico: Holmesina septentrionalis
- Época:Plioceno e Pleistoceno
- Local onde viveu: América do Norte
- Peso: Cerca de 230 kilogramas
- Tamanho: 1,3 metros de altura e 2,0 metros de comprimento
- Alimentação: Onívora
Classificação Científica:
- Reino: Animalia
- Filo: Chordata
- Classe: Mammalia
- Ordem: Cingulata
- Família: †Pampatheriidae
- Gênero: †Holmesina
- Espécie: †Holmesina septentrionalis Leidy 1889.
Referências:
- - LEIDY, J. 1889A. Fossil vertebrates from Florida. Proc. Acad. Nat. Sci. Philadelphia, 1889, pp. 96-97.
- - Moura, J. F.; Gois, F.; Galliari, F. C.; Fernandes, M. A. (2019). "A new and most complete pampathere (Mammalia, Xenarthra, Cingulata) from the Quaternary of Bahia, Brazil". Zootaxa. 4661 (3): 401–444. doi:10.11646/zootaxa.4661.3.1. PMID 31716695. S2CID 202858857.
- - Simpson, George Gaylord; Simpson, George Gaylord (1930). Holmesina septentrionalis, extinct giant armadillo of Florida. Vol. 442 (1930). New York: American Museum of Natural History.


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