Bajadassauro
(Bajadasaurus pronuspinax)
Paleoartes:
- AVPHAnimação
Introdução
Bajadassauro (Bajadasaurus pronuspinax) é um dinossauros saurópode dicraeossaurídeo do Cretáceo Inferior, que viveu na Patagônia argentina entre aproximadamente 145 e 132,9 milhões de anos atrás, durante os andares Berriasiano tardio e Valanginiano. Trata-se de um dos saurópodes mais notáveis da paleontologia sul-americana, não pelo seu porte colossal, mas pela presença de espinhos neurais cervicais extraordinariamente alongados e curvados para a frente, uma morfologia única entre os dinossauros conhecidos. O holótipo preserva o crânio mais completo jamais encontrado entre os dicraeossaurídeos, o que fez da descoberta uma contribuição de grande relevância para a compreensão da anatomia craniana desse grupo. A descrição formal da espécie, publicada em 2019 na revista Scientific Reports, gerou ampla repercussão na mídia internacional em razão da aparência espetacular do animal.
Etimologia
O nome genérico Bajadasaurus é formado pela palavra espanhola bajada, que significa "descida" ou "rampa", em referência à localidade Bajada Colorada, onde os fósseis foram encontrados, combinada ao termo grego sauros, que significa "lagarto". O nome pode ser traduzido como "lagarto da Bajada" ou "lagarto da descida". O epíteto específico pronuspinax combina o latim pronus, que significa "curvado para a frente" ou "inclinado", com o grego spinax, que significa "espinho", em referência direta às espinhas neurais cervicais longas e curvadas anteriormente, a característica mais marcante da espécie. O nome completo pode ser traduzido como "lagarto da Bajada de espinhos curvados para a frente".
Descrição
Bajadasaurus pronuspinax era um saurópode de porte médio para os padrões do grupo, com comprimento total estimado entre 10 e 13 metros e altura nos ombros estimada em aproximadamente 3 metros, com base em comparações com o dicraeossaurídeo mais bem conhecido, Amargasaurus cazaui. O peso é estimado em cerca de 3 a 4 toneladas. Como todos os dicraeossaurídeos, possuía pescoço relativamente curto em comparação com outros saurópodes, quatro membros colunares robustos e cauda longa.
A característica mais marcante da espécie é a presença de espinhas neurais cervicais bifurcadas e extremamente alongadas, que se curvavam permanentemente para a frente, independentemente da posição do pescoço, podendo ultrapassar 1,30 metro de comprimento. Essas espinhas formavam uma "cerca" sobre o pescoço do animal e, ao contrário das espinhas de Amargasaurus, que apontavam para trás, as de Bajadasaurus apontavam consistentemente para a frente. Os autores da descrição original propuseram que as espinhas eram cobertas por queratina em vida, o que as tornaria ainda mais longas e visualmente imponentes, embora essa cobertura de tecido mole não esteja diretamente preservada nos fósseis. A hipótese mais amplamente aceita no artigo de 2019 é a de função defensiva passiva, funcionando como barreira física contra ataques de terópodes predadores ao pescoço do animal, região vulnerável de todos os saurópodes. A diferença temporal de 15 milhões de anos entre Bajadasaurus e Amargasaurus, que apresentam a mesma morfologia de espinhas em tendência convergente, sugere que esse sistema de defesa foi adaptativo ao longo de um longo período evolutivo. Outras funções propostas para estruturas similares em dicraeossaurídeos incluem termorregulação, exibição visual e reserva de gordura, mas os dados morfológicos de Bajadasaurus favorecem a hipótese defensiva.
O crânio era grácil e pequeno, com órbitas dorsalmente expostas, o que provavelmente permitia ao animal manter visão binocular frontal ao baixar a cabeça para se alimentar ao nível do solo, característica incomum entre os saurópodes. A dentição era composta por aproximadamente 48 dentes em forma de lápis, restritos à porção anterior das mandíbulas, típica de saurópodes com hábito de pastejo seletivo.
Bajadasaurus pronuspinax era herbívoro, alimentando-se de vegetação disponível nos ambientes de planícies fluviais do Cretáceo Inferior patagônico. A Formação Bajada Colorada representa um ambiente fluvial de rios entrelaçados, com canais bem preservados e paleossólos, indicando um ambiente de planície com cursos d'água sazonais em clima subtropical. Outros dinossauros conhecidos da mesma formação incluem o diplodocídeo Leinkupal, o titanossauro Ninjatitan, e registros indeterminados de anquilossauros, abelissauros e deinonicossauros, indicando um ecossistema diversificado com herbívoros de vários portes e predadores de médio a grande porte. Como os demais saurópodes, Bajadasaurus provavelmente se deslocava em grupos ou pequenas manadas, com as espinhas cervicais servindo tanto como proteção passiva contra predadores quanto possivelmente como elemento de reconhecimento visual entre indivíduos da mesma espécie.
Descoberta
Os fósseis de Bajadasaurus pronuspinax foram descobertos em 2010 em afloramentos da Formação Bajada Colorada, na localidade de mesmo nome, cerca de 40 km ao sul da cidade de Picún Leufú, ao longo da Rota Nacional 237, na Província de Neuquén, Patagônia, Argentina. Em 2013, uma equipe de paleontólogos do CONICET, da Fundación Félix de Azara, da Universidad Maimónides e do Museo Paleontológico Ernesto Bachmann iniciou as escavações sistemáticas do material.
O holótipo, catalogado como MMCh-PV 75 e depositado no Museo Municipal Ernesto Bachmann, em Villa El Chocón, Neuquén, consiste em ossos cranianos em articulação, incluindo elementos do palato, da caixa craniana e uma dentária esquerda quase completa, associados à região anterior do pescoço e a uma vértebra cervical adicional com as espinhas neurais excepcionalmente desenvolvidas. A preservação articulada do crânio com a região cervical anterior foi especialmente relevante, pois os crânios de sauropodes raramente são encontrados em associação com o esqueleto pós-craniano.
A descrição formal de Bajadasaurus pronuspinax como novo gênero e espécie foi publicada em 4 de fevereiro de 2019 na revista Scientific Reports, por Pablo A. Gallina, Sebastián Apesteguía, Juan I. Canale e Alejandro Haluza. A descoberta recebeu ampla cobertura da imprensa científica internacional, com destaque para a morfologia incomum das espinhas cervicais e para as implicações sobre o comportamento defensivo dos saurópodes, tema pouco explorado na literatura paleontológica.
Classificação
Na análise filogenética publicada junto à descrição original, Bajadasaurus pronuspinax foi posicionado dentro da família Dicraeosauridae, como táxon próximo de Amargasaurus cazaui, embora com diferença temporal de aproximadamente 15 milhões de anos entre as duas espécies, já que Bajadasaurus é consideravelmente mais antigo. Os Dicraeosauridae são considerados grupo-irmão dos Diplodocidae dentro da superfamília Diplodocoidea, distinguindo-se por seu pescoço relativamente mais curto e pelas espinhas neurais duplas características.
A classificação completa da espécie é: Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Reptilia, Clado Dinosauria, Clado Saurischia, Clado Sauropodomorpha, Clado Sauropoda, Superfamília Diplodocoidea, Família Dicraeosauridae, Gênero Bajadasaurus, Espécie Bajadasaurus pronuspinax. Entre os parentes mais próximos dentro dos Dicraeosauridae estão Amargasaurus cazaui, do Cretáceo Inferior da Argentina; Dicraeosaurus hansemanni, do Jurássico Superior de Tendaguru, na Tanzânia; Brachytrachelopan mesai, do Jurássico Superior da Patagônia; Pilmatueia faundezi, do Cretáceo Inferior da Argentina; e Suuwassea emilieae, do Jurássico Superior dos Estados Unidos. A diferença temporal entre Bajadasaurus e Amargasaurus demonstra que a morfologia de espinhas cervicais extremamente alongadas persistiu como característica adaptativa nos dicraeossaurídeos sul-americanos por pelo menos 15 milhões de anos, o que reforça a hipótese de que essa estrutura cumpria função ecológica relevante.
Dados do Dinossauro:
- Nome: Bajadassauro
- Nome Científico: Bajadasaurus pronuspinax
- Época: Cretáceo
- Local onde viveu: América do Sul
- Peso: Cerca de 4,0 toneladas
- Tamanho: 3,0 metros de altura e 13,0 metros de comprimento
- Alimentação: Herbívora
Classificação Científica:
- Reino: Animalia
- Filo: Chordata
- Classe: Reptilia
- Clado: Dinosauria
- Clado: Saurischia
- Clado: †Sauropodomorpha
- Clado: †Sauropoda
- Superfamília: †Diplodocoidea
- Família: †Dicraeosauridae
- Gênero: †Bajadasaurus
- Espécie: †Bajadasaurus pronuspinax , .
Referências:
- - GALLINA, P. A.; APESTEGUÍA, S.; CANALE, J. I.; HALUZA, A. A new long-spined dinosaur from Patagonia sheds light on sauropod defense system. Scientific Reports, v. 9, 1392, 2019. DOI: 10.1038/s41598-018-37943-3.
- - JANENSCH, W. Übersicht über die Wirbeltierfauna der Tendaguruschichten, nebst einer kurzen Charakterisierung der neu aufgeführten Arten von Sauropoden. Archiv für Biontologie, v. 3, n. 1, p. 81-110, 1914.
- - LACOVARA, K. J. et al. A gigantic, exceptionally complete titanosaurian sauropod dinosaur from Southern Patagonia, Argentina. Scientific Reports, v. 4, 6196, 2014. DOI: 10.1038/srep06196.
- - SALGADO, L.; CALVO, J. O. Evolution of titanosaurid sauropods II: the cranial evidence. Ameghiniana, v. 34, n. 1, p. 33-48, 1997.
- - SALGADO, L.; CORIA, R. A. Amargasaurus cazaui Salgado & Bonaparte, 1991 (Dinosauria, Sauropoda), a revised description with comments on its paleobiological implications. Ameghiniana, v. 30, n. 2, p. 153-160, 1993.
- - WHITLOCK, J. A. Inferences of diplodocoid (Sauropoda: Dinosauria) feeding behavior from snout shape and microwear analyses. PLOS ONE, v. 6, n. 4, e18304, 2011. DOI: 10.1371/journal.pone.0018304.



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