Atlas Virtual da Pré-História

Discokeryx

(Discokeryx xiezhi)

Discokeryx xiezhi - AVPH

Paleoartes:

- AVPH

Animação

Introdução

O Discokeryx (Discokeryx xiezhi) ou "Girafa carneiro" foi uma espécie extinta de ungulado artiodáctilo do Mioceno Inferior, há aproximadamente 16,9 milhões de anos, proveniente do norte da China. A espécie possui um crânio com ossos espessos e um grande ossicone em forma de disco, vértebras cervicais com centros extremamente espessados, e as articulações cabeça-pescoço mais complexas conhecidas entre os mamíferos até a data de sua descoberta. Essa morfologia peculiar foi quase certamente uma adaptação para um comportamento feroz de embate cabeça a cabeça entre machos. Descrita oficialmente em 2022 e batizada com o nome de uma criatura mitológica chinesa, Discokeryx xiezhi foi identificada como um antigo membro da superfamília Giraffoidea, levantando novas hipóteses sobre as forças evolutivas que moldaram o longo pescoço da girafa moderna.

Etimologia

O nome do gênero Discokeryx significa "chifre em forma de disco redondo", em referência direta ao ossicone discóide característico que adornava o topo do crânio do animal. O termo é formado pelo grego diskos ("disco" ou "objeto circular") e keryx (variante de keras, "chifre"). O epíteto específico xiezhi faz referência à criatura mitológica chinesa de mesmo nome, conhecida por sua semelhança com um boi ou uma cabra portadora de um único chifre ósseo na cabeça, cuja semelhança com o ossicone único de Discokeryx inspirou os autores da descrição. O xiezhi é uma figura da mitologia e da iconografia jurídica tradicional chinesa, associado à justiça e à capacidade de distinguir o bem do mal.

Descrição

Discokeryx xiezhi possuía um crânio compacto e de ossos espessos, coroado por um único ossicone grande em formato de disco e capacete, vértebras cervicais com centros extraordinariamente espessados e as articulações cabeça-pescoço mais complexas entre todos os mamíferos conhecidos. Essas adaptações foram interpretadas como voltadas ao comportamento de embate cabeça a cabeça entre machos, comparável ao "pescoçamento" dos girafas machos modernos, porém numa direção evolutiva distinta.

O animal tinha o porte aproximado de um grande carneiro bighorn. Não há estimativas de comprimento e altura formalmente publicadas no artigo de descrição original, mas com base nas proporções do esqueleto e nas comparações com artiodáctilos contemporâneos de porte equivalente, estimativas gerais indicam comprimento corporal de 1,7 a 2,1 metros e altura nos ombros de 1 a 1,5 metro, com peso entre 109 e 288 kg para machos adultos. Comparado a animais modernos que lutam com cabeçadas, como carneiros e bois almiscarados, D. xiezhi possuía as adaptações para embate mais otimizadas de todos, com um crânio que protegia o cérebro com maior eficiência do que outros mamíferos cabeçadores.

Isótopos do esmalte dentário indicam que a espécie era um herbívoro pastador de campo aberto que bebia de múltiplas fontes de água, e que seus habitats incluíam áreas às quais seus contemporâneos não eram adaptados. O ambiente da Formação Halamagai, no Mioceno Inferior da Bacia de Junggar, em Xinjiang, era caracterizado por planícies abertas com vegetação gramínea, cursos d'água sazonais e clima variável, com condições mais áridas que o atual cinturão florestal asiático. Os autores sugeriram que o violento comportamento de luta de Discokeryx xiezhi pode ter sido relacionado ao estresse de sobrevivência causado pelo ambiente.

Em relação ao comportamento social, a presença de adaptações cranianas tão extremas voltadas ao combate entre machos indica fortemente que a espécie vivia em grupos com competição intrassexual intensa pela disputa de fêmeas, padrão semelhante ao observado em ungulados modernos com ornamentos cefálicos elaborados, como carneiros, bois almiscarados e girafas. As fêmeas provavelmente possuíam ossicones menos desenvolvidos ou ausentes, seguindo o padrão de dimorfismo sexual observado em outros girafóideos. Dados isotópicos do esmalte dentário sugerem que D. xiezhi ocupava um nicho ecológico distinto do de outros herbívoros contemporâneos, comparável ao nicho característico de pastejo em alto nível das girafas modernas.

Descoberta

Em 1996, o paleontólogo Jin Meng descobriu um crânio incomum na vasta e árida extensão da Bacia de Junggar, no norte da China. O crânio era robusto e de construção sólida, com uma placa óssea de quase dois centímetros e meio de espessura ao redor da região da testa do animal. Algumas vértebras do pescoço encontradas próximas também eram conspicuamente espessadas. Por anos, Meng e seus colegas da Academia de Ciências da China simplesmente chamaram sua descoberta de "guài shòu", ou "besta estranha".

Os fósseis foram encontrados em estratos do Mioceno Inferior de aproximadamente 17 milhões de anos, na margem norte da Bacia de Junggar, em Xinjiang. Um crânio completo e quatro vértebras cervicais fizeram parte do achado. O espécime holótipo está catalogado como IVPP V26602 e está depositado no Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia (IVPP) da Academia de Ciências da China, em Pequim.

A descrição formal de Discokeryx xiezhi como novo gênero e espécie foi publicada em 2 de junho de 2022 na revista Science, por uma equipe internacional liderada por Shi-Qi Wang, Jie Ye e Jin Meng, com colaboradores do IVPP, do Museu Americano de História Natural, do Museu de História Natural da Basileia e de outras instituições. Em fevereiro de 2023, um comentário publicado também na Science por Hou e colaboradores questionou a afinidade giraffóidea de Discokeryx, argumentando que o animal seria um ruminante mais basal. Wang e colaboradores responderam no mesmo número, reiterando a posição de Discokeryx dentro dos Giraffoidea com base em características do ossicone e do labirinto ósseo do ouvido interno.

Classificação

Na análise filogenética publicada por Wang e colaboradores em 2022, baseada em datação por evidência total com método bayesiano e uma base molecular como restrição, os Prolibytheriidae (incluindo Discokeryx, Tsaidamotherium e Prolibytherium) e os Climacoceratidae foram posicionados como grupos-irmãos, agrupados com os Giraffidae dentro de Giraffoidea. Discokeryx não é considerado um ancestral direto da girafa moderna, mas sim um ramo lateral da família das girafas que tomou uma rota evolutiva diferente especializada para o embate cabeça a cabeça.

A classificação completa da espécie é: Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Mammalia, Ordem Artiodactyla, Superfamília Giraffoidea, Família Prolibytheriidae, Gênero Discokeryx, Espécie Discokeryx xiezhi. Entre os parentes mais próximos dentro dos Prolibytheriidae estão Prolibytherium magnieri, do Mioceno do norte da África, e Tsaidamotherium hedini, da China. Entre os girafóideos viventes, os parentes mais próximos são a girafa moderna (Giraffa camelopardalis) e o ocapi (Okapia johnstoni). O estudo concluiu que os girafóideos exibem maior diversidade de ornamentos cefálicos do que outros ruminantes, e que viver em nichos ecológicos específicos pode ter fomentado vários comportamentos de combate intraespecífico que resultaram em morfologias extremas de cabeça e pescoço em diferentes linhagens de girafóideos.

Provável som que ele emitia:


Dados do Megamamífero:

  • Nome: Discokeryx
  • Nome Científico: Discokeryx xiezhi
  • Época: Mioceno
  • Local onde viveu: Ásia
  • Peso: Cerca de 280 kilogramas
  • Tamanho: 1,5 metros de altura e 2,1 metros de comprimento
  • Alimentação: Herbívora

Classificação Científica:

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Mammalia
  • Infraclasse: Placentalia
  • Ordem: Artiodactyla
  • Família: †Prolibytheriidae
  • Gênero:Discokeryx
  • Espécie:Discokeryx xiezhi Wang et al, 2022.

Referências:

  • - HOU, S. et al. Comment on "Sexual selection promotes giraffoid head-neck evolution and ecological adaptation". Science, v. 379, n. 6634, eadd9559, 2023. DOI: 10.1126/science.add9559.
  • - JONES, N. How the giraffe got its neck: 'unicorn' fossil could shed light on puzzle. Nature, v. 606, n. 7913, p. 239, 2022. DOI: 10.1038/d41586-022-01516-2.
  • - WANG, S.-Q. et al. Sexual selection promotes giraffoid head-neck evolution and ecological adaptation. Science, v. 376, n. 6597, eabl8316, 2022. DOI: 10.1126/science.abl8316.
  • - WANG, S.-Q. et al. Response to comment on "Sexual selection promotes giraffoid head-neck evolution and ecological adaptation". Science, v. 379, n. 6634, eade3392, 2023. DOI: 10.1126/science.ade3392.