Atlas Virtual da Pré-História

Cryodrakon

(Cryodrakon boreas)

Cryodrakon boreas - AVPH

Paleoartes:

- AVPH

Animação

Introdução

Cryodrakon boreas é um pterossauro azhdarchídeo do Cretáceo Superior, cujos fósseis foram encontrados na Formação Dinosaur Park, em Alberta, Canadá, datados de aproximadamente 76,7 a 74,3 milhões de anos atrás, durante o Campaniano tardio. Trata-se do único pterossauro formalmente descrito como gênero próprio com origem em fósseis canadenses, e um dos maiores animais voadores já registrados pela paleontologia. Formalmente descrito em 2019, o animal era conhecido há décadas de fragmentos atribuídos erroneamente ao gênero Quetzalcoatlus, e sua separação como gênero distinto representou um avanço importante para a compreensão da diversidade dos azhdarchídeos no Cretáceo da América do Norte. O nome popular “dragão congelado” reflete tanto a origem canadense dos fósseis quanto a escala colossal do animal que, em vida, sobrevoava paisagens subtropicais habitadas por hadrrossauros, ceratópsios e uma rica diversidade de outros dinossauros.

Etimologia

O nome do gênero Cryodrakon combina o grego kryos, que significa “gelo” ou “frio”, com drakon, que significa “dragão” ou “grande serpente”, resultando em “dragão de gelo” ou “dragão congelado”. O nome foi escolhido em referência ao inverno frio e nevoso característico do Canadá moderno, onde os fósseis foram encontrados, ainda que o clima de Alberta durante o Campaniano fosse subtropical e consideravelmente mais quente. O epíteto específico boreas é uma referência direta a Bóreas, o deus grego dos ventos do norte, reforçando a associação com as regiões setentrionais onde o animal foi encontrado. O nome completo Cryodrakon boreas pode ser traduzido como “dragão congelado dos ventos do norte”.

Descrição

Cryodrakon boreas era um dos maiores animais voadores de todos os tempos. O espécime holótipo, correspondente a um indivíduo juvenil, apresenta envergadura estimada de aproximadamente 5 metros. Uma vértebra cervical de grande porte atribuída ao gênero, a maior conhecida da espécie, indica que os adultos podiam atingir envergadura de 9 a 10 metros, comparável à do gigantesco Quetzalcoatlus northropi. Em posição terrestre, um adulto de Cryodrakon boreas atingia altura estimada de mais de 4 metros, comparável à de uma girafa moderna. O peso estimado para adultos ficava entre 150 e 250 kg, com o autor principal da descrição, David Hone, citando cerca de 200 kg como estimativa central. Comparado ao Quetzalcoatlus, os ossos de Cryodrakon eram proporcionalmente mais robustos, sugerindo que o animal era ligeiramente mais pesado que seu parente texano para o mesmo comprimento de envergadura.

Como todos os azhdarchídeos, Cryodrakon boreas possuía crânio muito longo em relação ao corpo, pescoço extremamente alongado com vértebras cervicais rígidas e fusionadas que conferiam estabilidade sem flexibilidade excessiva, bico longo, reto e sem dentes, e asas compostas por um dígito alar muito alongado que sustentava a membrana de voo. Os membros anteriores eram notavelmente longos e funcionavam como apoio ao caminhar em posição quadrúpede no solo, no padrão típico dos pterossauros. A espécie se distingue de outros azhdarchídeos pela posição dos pneumatóforos próximos à margem inferior do canal neural nas vértebras cervicais, e pelas pós-exapófises proeminentes em largura mas curtas em comprimento.

Em relação ao ambiente e modo de vida, C. boreas habitava o que hoje é o sul de Alberta durante um período em que a região era uma planície costeira subtropical banhada pela Via Interior Ocidental, o mar interior raso que dividia a América do Norte durante o Cretáceo Superior. O ambiente da Formação Dinosaur Park era composto por planícies aluviais com rios meandrantes, lagoas, pântanos costeiros e vegetação densa, com clima quente e úmido. Cryodrakon compartilhava esse ecossistema com uma das maiores diversidades de dinossauros já registradas em qualquer formação geológica, incluindo ceratópsios como Centrosaurus e Styracosaurus, hadrrossauros como Parasaurolophus e Lambeosaurus, e grandes terópodes como Gorgosaurus.

Como outros azhdarchídeos, Cryodrakon boreas era carnívoro, com dieta baseada principalmente em pequenos vertebrados capturados no solo, incluindo lagartos, mamíferos, filhotes de dinossauros e provavelmente anfíbios. O modelo de forrageamento mais aceito para os azhdarchídeos grandes, incluindo Cryodrakon, é o de caminhada terrestre com captura por mergulho da cabeça, semelhante ao comportamento da garça-real moderna, em vez de pesca em voo rasante. Esse modelo é sustentado pela morfologia do pescoço rígido, pelo bico longo e pelo tamanho colossal do animal, que tornaria o voo de pesca rasante mecanicamente ineficiente. Evidência direta de predação sobre Cryodrakon foi encontrada nos fósseis: um dente de dromeossaurídeo foi identificado encravado na tíbia de um espécime da Formação Dinosaur Park, indicando que os grandes pterossauros podiam ser atacados por terópodes no solo. Apesar de sua capacidade de cruzar oceanos em voo, os pesquisadores consideram que Cryodrakon era um animal predominantemente de interior, não costeiro.

Descoberta

Em 1992, Wendy Sloboda, técnica do Royal Tyrrell Museum of Palaeontology, descobriu no Dinosaur Provincial Park, em Alberta, o esqueleto parcial de pterossauro mais completo já encontrado no Canadá, consistindo em parte de uma asa, alguns ossos das pernas e várias vértebras cervicais. O espécime foi catalogado como TMP 1992.83 e tornou-se o holótipo de Cryodrakon boreas. Os primeiros fósseis de azhdarchídeos canadenses da Formação Dinosaur Park haviam sido reportados desde 1972, mas por décadas foram atribuídos ao gênero Quetzalcoatlus, cuja descrição original provém de fósseis texanos da Formação Javelina.

Em 2005, Philip J. Currie e Eva Koppelhus publicaram uma descrição mais completa dos elementos pós-cranianos do espécime holótipo, sem, contudo, nomear um novo gênero. A reavaliação taxonômica definitiva foi publicada em setembro de 2019 na revista Journal of Vertebrate Paleontology, por David W. E. Hone, da Queen Mary University of London; François Therrien, do Royal Tyrrell Museum of Palaeontology; e Michael Habib, da University of Southern California. Os autores compararam o material canadense com o material texano de Quetzalcoatlus e identificaram diferenças diagnósticas suficientes nas vértebras cervicais para justificar a criação do novo gênero Cryodrakon. Todos os demais restos de azhdarchídeos conhecidos da Formação Dinosaur Park foram reatribuídos à nova espécie, incluindo uma grande vértebra cervical isolada (TMP 1980.16.1367) que sugere a existência de adultos com envergadura de 9 a 10 metros.

Classificação

Na análise filogenética publicada em 2019, Cryodrakon boreas foi formalmente atribuído à família Azhdarchidae dentro de Pteranodontoidea. Análises subsequentes, incluindo a de Longrich e colaboradores (2021), posicionaram Cryodrakon dentro da subfamília Quetzalcoatlinae, como táxon próximo de Quetzalcoatlus, com quem compartilha o grande porte e a morfologia geral do pescoço e do crânio.

A classificação completa da espécie é: Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Reptilia, Ordem Pterosauria, Clado Pterodactyloidea, Clado Pteranodontoidea, Família Azhdarchidae, Subfamília Quetzalcoatlinae, Gênero Cryodrakon, Espécie Cryodrakon boreas. Entre os parentes mais próximos dentro da família Azhdarchidae estão Quetzalcoatlus northropi e Quetzalcoatlus lawsoni, ambos do Cretáceo Superior do Texas; Thanatosdrakon amaru, do Cretáceo Superior da Argentina, possivelmente o maior pterossauro sul-americano conhecido; Arambourgiania philadelphiae, do Cretáceo Superior da Jordânia; e Hatzegopteryx thambema, do Cretáceo Superior da Romênia. Os Azhdarchidae como grupo dominaram os céus do Cretáceo Superior em escala global e incluem os maiores animais voadores que já existiram no planeta.

Dados do Dinossauro:

  • Nome: Cryodrakon "o dragão do norte"
  • Nome Científico: Cryodrakon boreas
  • Época: Cretáceo
  • Local onde viveu: Canadá
  • Peso: Cerca de 250 kilogramas
  • Tamanho: 4,0 metros de altura e 10,0 metros de envergadura
  • Alimentação: Carnívora

Classificação Científica:

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Reptilia
  • Ordem: †Pterosauria
  • Subordem: †Pterodactyloidea
  • Clado: †Azhdarchoidea
  • Família: †Azhdarchidae
  • Subfamília: †Quetzalcoatlinae
  • Gênero: †Cryodrakon
  • Espécie: †Cryodrakon boreas Hone et al., 2019.

Referências:

  • - CURRIE, P. J.; KOPPELHUS, E. B. Dinosaur Provincial Park: a spectacular ancient ecosystem revealed. Bloomington: Indiana University Press, 2005.
  • - HONE, D. W. E.; HABIB, M.; THERRIEN, F. Cryodrakon boreas, gen. et sp. nov., a Late Cretaceous Canadian azhdarchid pterosaur. Journal of Vertebrate Paleontology, v. 39, n. 3, e1649681, 2019. DOI: 10.1080/02724634.2019.1649681.
  • - LONGRICH, N. R. et al. Maastrichtian azhdarchid pterosaurs from the Kem Kem Group of Morocco. PLOS ONE, v. 16, n. 8, e0256633, 2021. DOI: 10.1371/journal.pone.0256633.
  • - PADIAN, K. The origin of pterosaurs. In: CURRIE, P. J.; KOPPELHUS, E. B. (ed.). Dinosaur Provincial Park: A Spectacular Ancient Ecosystem Revealed. Bloomington: Indiana University Press, 2005. p. 533-546.
  • - WITTON, M. P. Pterosaurs: Natural History, Evolution, Anatomy. Princeton: Princeton University Press, 2013. ISBN 978-0-691-15061-1.
  • - WITTON, M. P.; HABIB, M. B. On the size and flight diversity of giant pterosaurs, the use of birds as pterosaur analogues and comments on pterosaur flightlessness. PLOS ONE, v. 5, n. 11, e13982, 2010. DOI: 10.1371/journal.pone.0013982.
  • - WITTON, M. P.; NAISH, D. A reappraisal of azhdarchid pterosaur functional morphology and paleoecology. PLOS ONE, v. 3, n. 5, e2271, 2008. DOI: 10.1371/journal.pone.0002271.