Agriotherium sivalensis - Atlas Virtual da Pré-História


Atlas Virtual da Pré-História

Agriotherium de Siwalik

(Agriotherium sivalensis)

Agriotherium sivalensis - AVPH

Paleoartes:

- AVPH

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Introdução

O Agriotherium de Siwalik (Agriotherium sivalensis) é a espécie-tipo do gênero de ursos extintos Agriotherium, um dos maiores ursos que já habitaram o planeta, viveram entre aproximadamente 5,3 e 3,6 milhões de anos atrás, durante o Mioceno tardio e o Plioceno, nas colinas Siwalik do subcontinente indiano. Pertencente ao topo da cadeia alimentar de seu ecossistema, esse urso é objeto de intenso debate científico sobre sua dieta e comportamento, com análises biomecânicas e isotópicas sugerindo um perfil ecológico distinto do de qualquer urso vivente.

Etimologia

nome do gênero Agriotherium foi proposto por Johann Andreas Wagner em 1837, sendo formado pelas palavras gregas agrios, que significa "selvagem" ou "feroz", e therion, que significa "besta" ou "animal", resultando em "besta feroz" ou "animal selvagem". O epíteto específico sivalensis é uma referência às Colinas Siwalik (também grafadas "Siválik"), formação montanhosa no sopé do Himalaia, no norte da Índia e do Paquistão, onde os primeiros fósseis da espécie foram encontrados. O sufixo latino -ensis indica procedência geográfica. O nome completo pode ser traduzido como "a besta feroz das Siwalik".

Descrição

Agriotherium sivalensis era um urso de grande porte, com pernas proporcionalmente mais longas e focinho mais curto do que os ursos modernos, conferindo-lhe uma silhueta mais alta e esbelta. Os membros do gênero eram mais levemente construídos do que outros ursos, com pernas longas e faces curtas. Suas mandíbulas largas e curtas podiam gerar enorme força de mordida. Chegavam a medir 1,2 metros de altura nos ombros e 1,8 metros de comprimento e pesar 650 kilogramas. A. africanum media cerca de 2 metros de comprimento corporal e pesava até 750 kg segundo estimativas iniciais, com estudos posteriores reduzindo essa estimativa para entre 317 e 540 kg. Como A. sivalensis é a espécie-tipo e de porte geral comparável ao das demais espécies asiáticas do gênero, estima-se comprimento corporal entre 1,5 e 2 metros, altura nos ombros de aproximadamente 1 a 1,3 metro e peso entre 200 e 400 kg para indivíduos adultos, valores que devem ser tratados com cautela diante da ausência de esqueleto pós-craniano completo.

O holótipo da espécie é o crânio catalogado como British Museum M39721. O comprimento estimado do crânio completo foi calculado pelos descritores originais como superior a 19 polegadas (cerca de 48 cm), valor notável para um ursoídeo.

Em relação ao modo de vida e dieta, análises dos dentes, mandíbula e padrões de desgaste dentário identificam Agriotherium como um onívoro que consumia grande quantidade de material vegetal. Embora os dentes não apresentem adaptações específicas para uma dieta carnívora, evidências isotópicas sugerem que o animal também consumia quantidade significativa de material animal, de forma semelhante a algumas populações de ursos-pardos modernos. Vários estudos do esqueleto, incluindo uma comparação com Hemicyon ursinus, um urso fóssil amplamente aceito como predador ativo, mostram que Agriotherium não possuía a força ou a velocidade dos membros necessárias para a caça ativa, seja por emboscada ou por perseguição. O animal também não exibia as garras longas e o aumento de força dos membros dianteiros típicos de mamíferos que escavam em busca de alimento. Esses ursos de grande porte podem ter se especializado numa combinação de pastejo, consumo de frutos e alimentos de invertebrados na estação adequada, e de intimidar predadores para afastá-los de carcaças, obtendo assim carne e tutano.

O gênero Agriotherium teve ampla distribuição geográfica, com fósseis de quatro ou mais espécies encontrados na Europa, Índia, Myanmar, China e África do Sul, indicando grande capacidade de dispersão e adaptação a diferentes ecossistemas. O ambiente das Colinas Siwalik durante o Mioceno tardio e o Plioceno era caracterizado por florestas subtropicais abertas, savanas e planícies aluviais regadas por rios sazonais provenientes do Himalaia em soerguimento. Agriotherium sivalensis compartilhava esse ambiente com uma rica fauna de ungulados, como Sivatherium, Hexaprotodon sivalensis e diversas espécies de cervídeos, além de outros grandes carnívoros como felídeos de dente de sabre.

Descoberta

O holótipo de Agriotherium sivalensis foi descrito a partir dos leitos de ossos das Colinas Siwalik do norte da Índia por Cautley e Falconer em 1836, originalmente sob a combinação Ursus sivalensis. O espécime-tipo é um crânio curado no Museu Britânico sob o número M39721. Hugh Falconer e Proby Thomas Cautley eram figuras centrais da paleontologia do subcontinente indiano no século XIX: Falconer era um botânico e geólogo escocês que dedicou anos ao estudo da fauna fóssil do subcontinente, e Cautley era um engenheiro militar britânico apaixonado por paleontologia, e ambos realizaram extensas expedições às Colinas Siwalik que resultaram na descrição de dezenas de espécies extintas.

Em 1837, Johann Andreas Wagner propôs o novo gênero Agriotherium para acomodar a espécie, tornando-a a espécie-tipo do gênero. Trabalhos posteriores de Lydekker (1878, 1885) e Pilgrim (1932) identificaram novos espécimes referíveis ao gênero nas Siwalik, incluindo a espécie próxima A. palaeindicum. A primeira espécie africana do gênero, A. africanum, só foi reconhecida em 1972, quando Hendey descreveu fósseis provenientes da Formação Verswater, em Langebaanweg, na África do Sul. Estudos mais recentes, como o de Jiangzuo e colaboradores (2023), expandiram significativamente a compreensão filogenética do grupo, posicionando os agrioterineos dentro dos Ailuropodinae e ampliando o número de espécies reconhecidas no gênero.

Classificação

A posição taxonômica de Agriotherium tem sido historicamente debatida: alguns pesquisadores o classificaram nos Ursavini (Ursinae) junto com o urso primitivo do Mioceno médio Ursavus, enquanto outros defendem sua inserção nos Agriotherinae ou nos Hemicyoninae. O estudo de Jiangzuo e colaboradores de 2023 posicionou Agriotherium como membro da tribo Agriotheriini, dentro da subfamília Ailuropodinae dos Ursidae, o mesmo clado do panda-gigante atual.

A classificação completa da espécie é: Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Mammalia, Ordem Carnivora, Família Ursidae, Subfamília Ailuropodinae, Tribo Agriotheriini, Gênero Agriotherium, Espécie Agriotherium sivalensis. Entre as espécies mais próximas dentro do gênero estão Agriotherium palaeindicum, também das Siwalik, Agriotherium africanum, da África do Sul, e Agriotherium insigne, da Europa. Dentro da tribo Agriotheriini, os gêneros Huracan e Indarctos são os parentes mais próximos. O registro mais antigo do gênero é A. inexpetans, do Mioceno tardio de Jiegou, Província de Gansu, na China, e o último registro do gênero data de cerca de 1,8 milhão de anos atrás, no Pleistoceno Inferior.

Dados do Megamamífero:

  • Nome: Agriotherium de Siwalik
  • Nome Científico: Agriotherium sivalensis
  • Época: Mioceno e Plioceno
  • Local onde viveu: Ásia
  • Peso: Cerca de 650 kilogramas
  • Tamanho: 1,2 metros de altura nos ombros e 1,8 metros de comprimento
  • Alimentação: Carnívora

Classificação Científica:

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Mammalia
  • Infraclasse: Placentalia
  • Ordem: Carnivora
  • Família: Ursidae
  • Tribo: †Agriotheriini
  • Gênero:Agriotherium
  • Espécie:Agriotherium sivalensis, Cautley e Falconer, 1836.

Referências:

  • - CAUTLEY, P. T.; FALCONER, H. Note on the fossil Ursus sivalensis (new species) from the Siválik Hills. Journal of the Asiatic Society of Bengal, v. 5, p. 195-200, 1836.
  • - DALQUEST, W. W. Lower jaw and dentition of the Hemphillian bear Agriotherium (Ursidae), with the description of a new species. Journal of Mammalogy, v. 67, n. 4, p. 623-631, 1986. DOI: 10.2307/1381124.
  • - FALCONER, H. Palaeontological Memoirs and Notes of the Late Hugh Falconer. London: Robert Hardwicke, 1868. v. 1.
  • - HENDEY, Q. B. The Miocene bear, Agriotherium Wagner (Carnivora: Ursidae), recorded from South Africa and its bearing on ursid phylogeny. Annals of the South African Museum, v. 59, n. 4, p. 91-107, 1972.
  • - JIANGZUO, Q.; FLYNN, J. J.; WANG, S.; HOU, S.; DENG, T. New fossil giant panda relatives (Ailuropodinae, Ursidae): a basal lineage of gigantic Mio-Pliocene cursorial carnivores. American Museum Novitates, n. 3996, p. 1-71, 2023. DOI: 10.1206/3996.1.
  • - LYDEKKER, R. Notices of new and other Vertebrata from Indian Tertiary and Secondary Rocks. Records of the Geological Survey of India, v. 11, p. 64-104, 1878.
  • - OLDFIELD, C. C. et al. Finite element analysis of ursid cranial mechanics and the prediction of feeding behaviour in the extinct giant Agriotherium africanum. Journal of Zoology, v. 286, n. 2, p. 171-177, 2012. DOI: 10.1111/j.1469-7998.2011.00862.x.
  • - PETTER, G.; THOMAS, H. Les Agriotheriinae (Mammalia, Carnivora) néogènes de l'Ancien Monde: présence du genre Indarctos dans la faune de Menacer (ex-Marceau), Algérie. Geobios, v. 19, n. 5, p. 573-586, 1986. DOI: 10.1016/s0016-6995(86)80055-9.
  • - PILGRIM, G. E. The Fossil Carnivora of India. Palaeontologia Indica, new series, v. 18. Calcutta: Geological Survey of India, 1932.
  • - SORKIN, B. Ecomorphology of the giant short-faced bears Agriotherium and Arctodus. Historical Biology, v. 18, n. 1, p. 1-20, 2006. DOI: 10.1080/08912960500476366.
  • - WAGNER, J. A. Beschreibung einer fossilen Bären-Art. Gelehrte Anzeigen, v. 5, p. 433-436, 1837.
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